Os termos estresse em valgo e estresse em varo referem-se a padrões de sobrecarga articular que resultam em desalinhamento biomecânico. Essas forças são clinicamente relevantes por sua associação com disfunções ortopédicas, especialmente nas articulações dos membros inferiores.
Neste conteúdo, a Dra. Rosangela Fedato explica o conceito clínico de estresse em valgo ou varo, suas causas, manifestações e abordagens terapêuticas mais utilizadas na prática ortopédica.
O que é Valgo?

“Valgo” é um termo descritivo utilizado em ortopedia para indicar uma deformidade angular em que o segmento distal de um osso ou articulação se desvia em direção à linha média do corpo. É observado em várias articulações:
- Joelho valgo (genu valgo): conhecido como “joelhos em X”.
- Pé valgo (pé plano valgo): caracterizado por pronação excessiva.
- Quadril valgo (coxa valga): aumento do ângulo cervicodiafisário.
- Cotovelo valgo: desvio medial do antebraço em relação ao braço.
O que é estresse em valgo e varo?
Esses conceitos descrevem forças externas que atuam sobre uma articulação, gerando pressão assimétrica:
- Estresse em valgo: força que empurra a articulação para dentro, causando sobrecarga medial. Exemplo clássico: estresse medial no joelho.
- Estresse em varo: força que empurra a articulação para fora, com sobrecarga lateral. Exemplo: varismo do joelho com aumento da pressão sobre o compartimento lateral.
Tais padrões são importantes na avaliação clínica e cirúrgica por influenciarem diretamente na progressão de lesões, instabilidades e alterações posturais.
Quais as causas de estresse em valgo?
As causas são multifatoriais e variam conforme a articulação comprometida. Nos membros inferiores, destacam-se:
- Desalinhamento estrutural congênito ou adquirido
- Fraqueza muscular, especialmente dos estabilizadores laterais do quadril e da coxa.
- Lesões ligamentares prévias, como lesão do ligamento colateral medial do joelho.
- Pronação excessiva na marcha, levando ao colapso medial do pé e joelho.
- Obesidade, aumentando a carga axial e favorecendo o valgo dinâmico.
- Doenças reumáticas ou artrite degenerativa, que alteram a arquitetura articular.
- Atividades de impacto sem biomecânica adequada, como corrida em superfícies rígidas.
- Postura inadequada em repouso ou movimento, agravando o alinhamento articular.
Esses fatores atuam isoladamente ou em combinação, e sua identificação precoce é essencial para evitar evolução para deformidades estruturais fixas.
Quais os sintomas de estresse em valgo?
O estresse em valgo, quando mantido por longos períodos ou submetido a cargas excessivas, pode resultar em sintomas clínicos, incluindo:
- Dor localizada, com predomínio medial nas articulações (ex: face interna do joelho).
- Sensação de instabilidade articular, principalmente em atividades de impacto ou mudanças rápidas de direção.
- Edema local decorrente de sobrecarga repetitiva e microlesões.
- Rigidez articular e limitação de movimento com o tempo.
- Fraqueza muscular associada e marcha alterada.
- Agravamento progressivo em casos não tratados, com potencial para lesão ligamentar ou degeneração articular (osteoartrose).
O comprometimento funcional pode variar de leve desconforto a incapacidade em atividades diárias simples.
Qual o tratamento para estresse em valgo ou varo?
O manejo clínico do estresse em valgo ou varo deve ser baseado na articulação acometida, grau do desalinhamento e presença de patologias associadas.
1. Fisioterapia direcionada
- Fortalecimento muscular dos estabilizadores articulares.
- Reeducação da marcha.
- Treino de propriocepção e equilíbrio articular.
2. Modificação de atividades
- Redução de exercícios com impacto axial repetitivo.
- Adaptação esportiva e laboral.
- Calçados adequados ao tipo de pisada.
3. Uso de órteses
- Palmilhas ortopédicas sob medida.
- Estabilizadores articulares para controle de movimentos excessivos.
4. Controle de dor e inflamação
- Analgésicos e anti-inflamatórios sob orientação médica.
- Aplicação local de gelo ou modalidades fisioterapêuticas (ultrassom, TENS).
5. Controle de peso
- Redução de sobrecarga em articulações de sustentação.
6. Cirurgia
- Considerada em casos com deformidade estrutural estabelecida ou falha no tratamento conservador.
- Pode incluir osteotomias, realinhamentos articulares e correções ligamentares.
7. Tratamento etiológico
- Controle da doença de base (ex: artrite reumatoide, instabilidade ligamentar crônica).
8. Acompanhamento ortopédico
- Revisões periódicas para ajuste do plano terapêutico e prevenção de recidivas.
Conclusão
O estresse em valgo e varo representa alterações biomecânicas com potencial de impactar negativamente a funcionalidade articular e a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para prevenir complicações mais graves, como lesões ligamentares e degeneração articular.
A Dra. Rosangela Fedato realiza avaliação especializada em alterações posturais, desvios angulares e lesões articulares com abordagem integrada, técnica e humanizada. Para diagnóstico preciso e tratamento adequado de estresse em valgo ou varo, o acompanhamento com ortopedista especialista em pé e tornozelo é fundamental.









