A inflamação de nervos no tornozelo, conhecida como neurite periférica, é uma condição clínica que pode comprometer significativamente a mobilidade e a sensibilidade local. O quadro é caracterizado por dor, parestesias (formigamento), fraqueza e limitação funcional. O manejo adequado requer identificação da etiologia, avaliação neurológica e tratamento direcionado.
A Dra. Rosangela Fedato, ortopedista com especialização em cirurgia do pé e tornozelo, aborda a seguir as causas, manifestações clínicas e as condutas recomendadas para o tratamento da inflamação nervosa no tornozelo.
O que é nervo do tornozelo inflamado?

A inflamação dos nervos do tornozelo acomete principalmente o nervo tibial posterior e seus ramos terminais, localizados na região medial do tornozelo. Essas estruturas são responsáveis pela sensibilidade e função motora do pé, e sua irritação, compressão ou inflamação resulta em dor neuropática e disfunção neuromuscular.
Principais estruturas envolvidas:
- Nervo tibial: corre atrás do maléolo medial e é o principal nervo comprometido em compressões no túnel do tarso.
- Nervos plantares medial e lateral: inervam a planta do pé.
- Nervo fibular (superficial e profundo): pode ser afetado na região lateral do tornozelo.
Funções dos nervos do tornozelo
Esses nervos são responsáveis pelas seguintes funções:
Sensitivas
- Transmissão de estímulos táteis, térmicos e dolorosos.
- Propriocepção da posição articular e equilíbrio.
Motoras
- Comando dos músculos intrínsecos do pé.
- Coordenação da marcha e ajustes posturais.
Quando inflamados, a integridade dessas funções é comprometida, afetando diretamente a mobilidade e estabilidade do tornozelo.
Condutas imediatas diante da inflamação nervosa
A abordagem inicial deve ter como foco o alívio da dor e a interrupção do estímulo irritativo sobre o nervo.
Medidas conservadoras
- Repouso relativo: evitar impacto e sobrecarga do tornozelo.
- Elevação do membro: redução de edema compressivo.
- Crioterapia: gelo por 15 a 20 minutos, 3 vezes ao dia.
- Calçados adequados: evitar sapatos apertados ou de sola dura.
Medicação
- AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais): para dor leve a moderada.
- Corticosteroides sistêmicos: indicados em inflamações mais severas ou refratárias.
- Fármacos para dor neuropática: como pregabalina ou gabapentina.
Tratamento clínico e fisioterapêutico
A conduta varia conforme a gravidade da inflamação e a presença de compressão mecânica.
Fisioterapia
- Alongamentos neurodinâmicos.
- Fortalecimento de musculatura estabilizadora.
- Mobilizações articulares e técnicas miofasciais.
- Eletroterapia analgésica (TENS ou laser terapêutico).
Intervenções especializadas
- Infiltrações com corticosteroides guiadas por imagem.
- Avaliação neurológica com ENMG (eletroneuromiografia).
- Ressonância magnética para investigar compressões extrínsecas ou lesões estruturais.
Sinais clínicos de gravidade
- Dor constante, de difícil controle com analgésicos convencionais.
- Fraqueza muscular progressiva.
- Perda de sensibilidade ou formigamento persistente.
- Incapacidade de sustentar peso no tornozelo afetado.
- Alterações cutâneas como palidez, cianose ou calor local.
Esses sinais requerem investigação urgente com exames de imagem e avaliação neurológica detalhada.
Possíveis causas da inflamação do nervo no tornozelo
- Compressão no túnel do tarso.
- Traumas diretos ou entorses prévias.
- Calçados inadequados com pressão local excessiva.
- Neuropatia diabética ou metabólica.
- Hiperpronação e disfunções biomecânicas do pé.
- Cistos, osteófitos ou tecidos fibrosos comprimindo o nervo.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia de descompressão do nervo (ex: liberação do túnel do tarso) é indicada nos seguintes casos:
- Falha de resposta ao tratamento clínico por mais de 6 meses.
- Evidência anatômica de compressão com sintomas progressivos.
- Perda neurológica significativa ou limitação funcional incapacitante.
A decisão cirúrgica é baseada em critérios clínicos, exames de imagem e eletroneuromiografia.
Conclusão
A inflamação do nervo no tornozelo é uma condição potencialmente incapacitante, que exige diagnóstico preciso e conduta terapêutica individualizada. O acompanhamento com especialista em pé e tornozelo é fundamental para identificar a causa exata, controlar os sintomas e evitar danos neurológicos permanentes.
A Dra. Rosangela Fedato realiza avaliação clínica completa, com recursos diagnósticos avançados e tratamento personalizado conforme o perfil funcional e biomecânico de cada paciente.









