O exame radiográfico do tornozelo é uma ferramenta diagnóstica fundamental na prática ortopédica. A correta execução dos posicionamentos no raio X do tornozelo garante a visualização anatômica adequada das estruturas ósseas e articulares, permitindo o diagnóstico preciso de fraturas, desalinhamentos, processos degenerativos ou inflamatórios.
A Dra. Rosangela Fedato, médica ortopedista especializada em cirurgia do pé e tornozelo, apresenta neste conteúdo os principais posicionamentos utilizados na radiografia do tornozelo e sua relevância para a conduta clínica.
O que é o exame de raio X do tornozelo?

A radiografia do tornozelo é um exame de imagem que utiliza radiação ionizante para captar a densidade dos tecidos, com ênfase na avaliação óssea. As imagens são obtidas em diferentes projeções, permitindo análise tridimensional indireta das articulações tíbio-fibular, tibiotársica e subtalar.
A escolha correta do posicionamento durante o exame é essencial para evitar distorções anatômicas e garantir qualidade diagnóstica.
Como funciona o exame de raio X?
Durante o exame, feixes de raios X atravessam o corpo e são absorvidos em diferentes intensidades pelos tecidos. Os ossos, por sua maior densidade, bloqueiam mais radiação, aparecendo mais claros nas imagens, enquanto tecidos moles são menos opacos.
A diferenciação entre essas estruturas permite identificar fraturas, desalinhamentos, processos degenerativos e outras alterações ósseas.
Importância do posicionamento na radiografia do tornozelo
A acurácia do diagnóstico radiológico depende diretamente do posicionamento correto do tornozelo no momento da aquisição da imagem. Cada projeção tem indicação específica e fornece informações complementares.
Entre os principais benefícios de um posicionamento técnico adequado, destacam-se:
- Visualização clara das articulações envolvidas.
- Identificação precisa de fraturas e desalinhamentos.
- Redução de repetições e exposição desnecessária à radiação.
- Auxílio na decisão sobre tratamento conservador ou cirúrgico.
Quais são os principais posicionamentos do raio X de tornozelo?
A radiografia do tornozelo pode ser realizada em diferentes projeções, dependendo do quadro clínico. As projeções mais utilizadas na prática ortopédica incluem:
1. Vista Anteroposterior (AP)
- Descrição: Paciente em decúbito dorsal ou em pé, com o tornozelo alinhado ao chassi. O raio incide no centro da articulação tibiotársica.
- Utilidade: Avaliação da fíbula distal, margem medial da tíbia e superfície superior do tálus.
2. Vista Lateral
- Descrição: Paciente deitado de lado, com o lado examinado apoiado sobre o chassi. A perna contralateral é deslocada posteriormente.
- Utilidade: Visualização da articulação subtalar, alinhamento posterior da tíbia e fíbula, e osso calcâneo.
3. Vista Oblíqua Interna (mortise view)
- Descrição: Tornozelo rotacionado internamente cerca de 15°-20°.
- Utilidade: Avaliação da articulação tíbio-fibular distal, bordas articulares da tibiotársica e possível deslocamento ou fratura marginal.
4. Vista Oblíqua Externa
- Descrição: Rotação lateral do tornozelo, menos frequente, mas útil em determinados traumas.
- Utilidade: Avaliação da fíbula lateralmente e superfícies externas do tálus.
Técnicas de posicionamento e critérios de qualidade
Para garantir imagens diagnósticas eficazes:
- O paciente deve permanecer completamente imóvel durante a captação.
- Marcas anatômicas devem estar visíveis e o alinhamento articular deve ser preservado.
- O feixe central deve ser direcionado à articulação tibiotársica.
- Em casos de trauma, deve-se considerar a possibilidade de fraturas ocultas e solicitar vistas complementares.
Consequências do mau posicionamento
Posicionamentos inadequados resultam em imagens sem valor diagnóstico e podem:
- Omitir fraturas ou desalinhamentos.
- Gerar necessidade de repetir o exame, aumentando a dose de radiação.
- Induzir a erros terapêuticos.
- Prejudicar o planejamento cirúrgico, quando necessário.
Como solicitar corretamente um raio X de tornozelo?
A solicitação deve partir de um médico com conhecimento técnico sobre a articulação e as possíveis hipóteses diagnósticas. A requisição deve conter:
- Identificação do membro afetado (D/E).
- Breve histórico clínico.
- Projeções desejadas (AP, lateral, mortise, etc.).
- Indicação clínica (suspeita de fratura, dor, entorse, pós-operatório).
A realização deve ser feita em serviço de radiologia capacitado, com profissionais habilitados para garantir a qualidade das imagens.
Conclusão
O posicionamento no exame de raio X do tornozelo é uma etapa crítica no processo diagnóstico ortopédico. Cada projeção oferece uma perspectiva complementar e é essencial para uma avaliação completa da articulação.
A Dra. Rosangela Fedato ressalta que o exame deve ser solicitado com critérios clínicos claros e realizado em ambiente técnico adequado para que as imagens geradas contribuam eficazmente no plano terapêutico — seja ele conservador ou cirúrgico.









