A cirurgia para pé torto, também chamada de correção cirúrgica do pé equinovaro congênito, é indicada em casos onde tratamentos conservadores não são suficientes para alinhar e estabilizar adequadamente o pé. Essa condição congênita afeta o posicionamento e a estrutura do pé logo ao nascimento, e pode impactar significativamente a marcha e a qualidade de vida, se não for corrigida corretamente.
Neste artigo, a Dra. Rosangela Fedato, médica ortopedista com especialização em cirurgia do pé e tornozelo, explica em detalhes quando a cirurgia é indicada, como ela é feita, os riscos associados à condição não tratada e o papel da fisioterapia na recuperação.
O que é o pé torto congênito?

O pé torto congênito é uma malformação estrutural caracterizada por uma posição anormal do pé, que aponta para baixo e para dentro, com limitação de movimento. Pode afetar um ou ambos os pés e está presente desde o nascimento.
Principais características clínicas
- Desvio do pé para dentro (varo) e para baixo (equinismo)
- Rigidez das articulações do tornozelo e pé
- Diminuição do comprimento do pé afetado
- Hipotrofia dos músculos da panturrilha
As causas ainda não são completamente compreendidas, mas fatores genéticos, neuromusculares e ambientais podem estar envolvidos. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas exames de imagem ajudam a definir o grau da deformidade.
Quando a cirurgia para pé torto é necessária?
A cirurgia é indicada quando:
- Há falha no tratamento conservador, como o método de Ponseti.
- A deformidade retorna após correção inicial.
- A rigidez e o desalinhamento são severos, limitando a mobilidade.
O momento ideal para a cirurgia depende da resposta ao tratamento inicial e do desenvolvimento motor da criança. Cada caso deve ser individualizado.
Riscos do pé torto não tratado
Se não corrigido, o pé torto pode evoluir com limitações funcionais importantes. Os principais riscos incluem:
- Dificuldade para caminhar, com marcha adaptada e instável.
- Desenvolvimento muscular assimétrico, com atrofia da perna afetada.
- Dor crônica, especialmente no dorso do pé e tornozelo.
- Desvios posturais que podem comprometer joelhos, quadris e coluna.
- Impacto psicológico, com restrições sociais e na autoestima, principalmente em fases escolares.
Como é feita a cirurgia para pé torto?
Avaliação pré-operatória
A avaliação pré-cirúrgica inclui:
- Exame físico completo e mensuração da deformidade
- Radiografias em diferentes posições do pé
- Ressonância magnética (em casos complexos)
- Análise funcional da marcha
Procedimentos cirúrgicos aplicados
A técnica cirúrgica depende do grau e do tipo da deformidade. As intervenções mais comuns incluem:
- Liberação de tecidos moles: soltura de tendões e cápsulas articulares encurtadas.
- Tenotomia do tendão de Aquiles: para alongar o tendão e corrigir o equinismo.
- Osteotomia: corte e realinhamento de ossos para restaurar o eixo correto.
- Artrodese: fusão de articulações quando há instabilidade ou rigidez severa.
- Transferência de tendões: redirecionamento das forças musculares para melhorar o equilíbrio e a função.
A escolha da técnica é feita com base na idade do paciente, histórico de tratamento anterior e rigidez da deformidade.
Benefícios da cirurgia minimamente invasiva
Nos casos indicados, a abordagem minimamente invasiva apresenta diversas vantagens:
- Menor trauma tecidual
- Recuperação pós-operatória mais rápida
- Redução do risco de infecção
- Cicatrizes menos evidentes
- Alta hospitalar precoce
Cuidados pós-operatórios e reabilitação
Imobilização
O pé operado é mantido imobilizado por 6 a 8 semanas com gesso ou bota ortopédica. É essencial evitar carga durante esse período.
Controle de dor e inflamação
O uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, além da aplicação de gelo, ajuda no controle dos sintomas nas primeiras semanas.
Fisioterapia
Após a remoção da imobilização, inicia-se a reabilitação funcional:
- Exercícios de amplitude de movimento
- Fortalecimento muscular da perna e pé
- Treinamento de marcha
- Alongamentos específicos para tendões encurtados
A reabilitação pode durar de 3 a 6 meses, dependendo da gravidade da deformidade e resposta do paciente.
Tempo de recuperação após cirurgia para pé torto
A recuperação ocorre em três fases:
- 0 a 6 semanas: imobilização total e controle de dor.
- 6 a 12 semanas: início da mobilização passiva e retorno gradual à marcha com auxílio.
- 12 semanas a 6 meses: fortalecimento, treino funcional e retorno às atividades rotineiras.
Em crianças, o retorno ao desenvolvimento motor é monitorado junto à fisioterapia pediátrica.
Importância de um especialista em cirurgia do pé torto
A cirurgia para pé torto requer conhecimento técnico específico. A atuação de uma ortopedista com especialização em cirurgia do pé e tornozelo, como a Dra. Rosangela Fedato, garante:
- Avaliação anatômica precisa
- Escolha da técnica cirúrgica mais indicada
- Redução dos riscos de recidiva ou complicações
- Recuperação funcional adequada
Perguntas frequentes sobre cirurgia para pé torto
1. Quando a cirurgia para pé torto é indicada?
Quando há falha no tratamento conservador ou recidiva da deformidade.
2. Quanto tempo leva para recuperar?
De 3 a 6 meses, incluindo fases de imobilização, fisioterapia e retorno progressivo à marcha.
3. A cirurgia sempre corrige completamente a deformidade?
Nos casos adequadamente indicados, sim. Porém, é comum que pacientes necessitem de acompanhamento prolongado.
4. A fisioterapia é obrigatória após a cirurgia?
Sim. É essencial para evitar rigidez, restaurar força e evitar deformidades secundárias.
5. Há risco de complicações?
Como em qualquer procedimento, existe risco. Os mais comuns são infecção, rigidez articular e recidiva da deformidade, especialmente sem acompanhamento adequado.
Conclusão
A cirurgia para pé torto é um procedimento seguro e eficaz, quando bem indicado e conduzido por um especialista em ortopedia e cirurgia do pé. Ela permite a correção da deformidade, melhora da marcha e recuperação funcional satisfatória.
O sucesso do tratamento está diretamente relacionado à técnica cirúrgica adequada, aos cuidados pós-operatórios e ao engajamento com a reabilitação fisioterapêutica.









