A tendinite fibular é a inflamação dos tendões dos músculos fibulares (peroneais) na face lateral da perna e tornozelo. Esses tendões — do fibular longo e fibular curto — deslizam por sulcos na fíbula e no calcâneo, estabilizando o tornozelo e permitindo a eversão do pé. A sobrecarga ou lesão desses tendões causa dor, inchaço e limitações funcionais.
O que são os músculos fibulares?

Os músculos fibulares formam o compartimento lateral da perna e têm inserções no pé:
- Fibular Longo: se origina na cabeça da fíbula e vai até a base do primeiro metatarso, promovendo eversão e suporte ao arco plantar.
- Fibular Curto: fica abaixo do fibular longo e se insere no quinto metatarso, auxiliando na eversão e estabilidade lateral.
Sua ação conjunta equilibra o tornozelo durante caminhada, corrida e mudanças de direção.
Causas da tendinite fibular
A tendinite fibular surge quando a carga nos tendões excede sua capacidade de adaptação. Entre os fatores predisponentes:
- Sobrecarga e uso excessivo: corrida em superfícies irregulares, treinos intensos sem progressão adequada.
- Entorses de tornozelo ou trauma direto: lesões agudas danificam os tendões e incitam resposta inflamatória.
- Desalinhamento biomecânico: pés planos ou supinados alteram a tensão nos tendões fibulares.
- Calçados inadequados: falta de suporte lateral ou amortecimento insuficiente.
- Aumento súbito de volume ou intensidade de exercícios: ultrapassa a capacidade de resistência dos tendões.
Sinais e sintomas
A apresentação clínica típica inclui:
- Dor lateral: agravada ao eversão do pé ou carga de peso.
- Inchaço e calor local: resposta inflamatória no trajeto do tendão.
- Sensibilidade à palpação: dor ao pressionar o sulco peroneal.
- Estalidos ou crepitação: sensação de “areia” sob a pele em movimento.
- Fraqueza para eversão: dificuldade em inclinar o pé para fora contra resistência.
Tratamentos recomendados
O manejo da tendinite fibular combina medidas de alívio rápido com reabilitação:
- Repouso relativo: reduzir atividades que reproduzam a dor, mantendo-se ativo em baixo impacto (natação, bicicleta).
- Termoterapia localizada: gelo 15–20 min a cada 2–3 h nas primeiras 48 h; alternar com calor após fase aguda para relaxar tecidos.
- AINEs: ibuprofeno, naproxeno ou diclofenaco conforme prescrição, para controle de dor e inflamação.
- Compressão e elevação: ataduras elásticas e elevação da perna abaixo do coração para reduzir edema.
- Fisioterapia:
- Alongamentos do fibular longo e curto.
- Fortalecimento de eversão com faixa elástica.
- Treino proprioceptivo e equilíbrio.
- Alongamentos do fibular longo e curto.
- Órteses e palmilhas: correção de desalinhamentos que sobrecarregam os tendões.
- Modalidades avançadas: ultrassom terapêutico, ondas de choque ou ESWT em casos crônicos.
- Infiltrações de corticosteroide: apenas em casos refratários e sob avaliação médica.
- Cirurgia: em tendinopatias crônicas graves com rupturas parciais e falha de tratamento conservador.
Medicamentos usados
A escolha de AINEs deve considerar perfil de risco e duração do tratamento:
- Ibuprofeno: 200–400 mg a cada 6 h.
- Naproxeno: 250–500 mg duas vezes ao dia.
- Diclofenaco: 50 mg duas vezes ao dia ou gel tópico.
- Celecoxibe: 200 mg uma vez ao dia (menor risco gastrointestinal).
A duração normalmente varia de 7 a 14 dias, conforme resposta clínica.
Conclusão
A tendinite fibular requer diagnóstico preciso e abordagem multifatorial: repouso, analgesia, fisioterapia e correção de fatores biomecânicos. O tratamento precoce alivia sintomas, acelera a recuperação e previne recaídas. Se você apresenta dor lateral no tornozelo ou fraqueza ao eversão, consulte um especialista em pé e tornozelo para avaliação detalhada e plano terapêutico individualizado.
Para agendar uma consulta, entre em contato com o Dr. Daniel Baumfeld.









