Os tendões do pé são estruturas fibrosas que conectam os músculos da perna aos ossos do pé e tornozelo, permitindo movimentos precisos e sustentação do peso corporal. Sua integridade é fundamental para a estabilidade, propulsão e adaptação a diferentes superfícies durante a marcha, corrida e outras atividades.
O que são tendões?

Os tendões são feixes densos de tecido conjuntivo, compostos predominantemente por colágeno tipo I, que transmitem a força gerada pela contração muscular para os ossos. No pé, atuam não apenas na locomoção mas também na absorção de impacto e no controle fino da postura.
Funções dos tendões do pé
- Transmissão de força: permitem que a contração dos músculos da panturrilha e da perna promova flexão plantar, dorsiflexão, inversão e eversão do pé.
- Estabilidade articular: estabilizam as articulações do tornozelo e do mediopé, prevenindo desalinhamentos.
- Armazenamento de energia elástica: em corridas e saltos, tendões (especialmente o calcâneo) atuam como reservatórios de energia, otimizando o gasto metabólico.
Principais tendões do pé
Tendão Calcâneo (de Aquiles)
É o tendão mais robusto do corpo humano. Origina-se nos músculos gastrocnêmio e sóleo, inserindo-se na face posterior do calcâneo. Responsável pela flexão plantar, suporta cargas de até 12 vezes o peso corporal durante a corrida e saltos.
Tendões Fibulares (Peroneais)
- Fibular longo: passa por trás do maléolo lateral e se fixa na base do primeiro metatarso, contribuindo para a eversão e suportando o arco lateral.
- Fibular curto: insere-se no tubérculo do quinto metatarso, auxilia na eversão e estabilização lateral do tornozelo.
Tendão Tibial Anterior
Corre pela face anterior da tíbia e se insere nos cuneiformes e no primeiro metatarso. Executa a dorsiflexão do pé e controla o movimento durante o apoio, evitando “arrastar” dos dedos no chão.
Tendão Tibial Posterior
Localizado na face interna do tornozelo, insere-se nos ossos do mediopé (navicular e cuneiformes). É fundamental para manter o arco medial e realizar a inversão do pé.
Tendões Extensores dos Dedos
Provenientes dos músculos tibial anterior e fibular terceiro, estendem-se até as falanges distais dos dedos do pé, permitindo a dorsiflexão de cada dedo e auxiliando no levantamento da ponta do pé.
Tendões Flexores dos Dedos
- Flexor longo dos dedos: corre pela face plantar, passando por baixo do sustentáculo do tálus até as falanges distais, promovendo flexão dos quatro últimos dedos.
- Flexor longo do hálux: conecta-se ao dedo grande, essencial para a propulsão na fase final da passada.
Lesões e condições acometendo os tendões do pé
Ruptura Tendínea
A ruptura parcial ou completa de um tendão — especialmente o calcâneo — ocorre em traumas indiretos ou na presença de tendinopatia crônica. Manifesta-se com dor súbita, incapacidade de flexão plantar ativa e sinal do “sinal de Thompson” (ausência de elevação do calcanhar ao apertar a panturrilha).
Tendinopatias
- Tendinite: inflamação aguda do tendão, caracterizada por dor exacerba-da ao movimento e edema local.
- Tendinose: degeneração da matriz tendínea devido a sobrecarga crônica, com dor difusa e rigidez, sem sinais marcantes de inflamação.
Subluxação de Tendões Fibulares
Movimento anômalo dos tendões fibulares fora da sulfúria retinacular, causando estalidos laterais e dor ao correr ou mudar de direção.
Sintomas de inflamação dos tendões do pé
- Dor localizada ao longo do trajeto tendíneo, agravada por carga ou movimento específico.
- Edema e calor no trajeto do tendão afetado.
- Rigidez matinal e após períodos de inatividade.
- Crepitação (estalidos finos) ao movimentar o pé.
- Fraqueza ou déficit funcional, como dificuldade em subir escadas ou correr.
Diagnóstico e tratamento
A avaliação clínica inicia-se com inspeção, palpação e manobras específicas (por exemplo, teste de Thompson). Exames de imagem (ultrassonografia e ressonância magnética) confirmam rupturas, inflamações ou degenerações.
Tratamento conservador
- Repouso relativo e modificações de atividade.
- Gelo e analgesia com AINEs.
- Fisioterapia com alongamentos, fortalecimento e treino de propriocepção.
- Órteses ou palmilhas para correção de biomecânica.
Tratamento cirúrgico
- Indicado em rupturas completas, subluxações de tendões fibulares refratárias ou tendinose avançada.
- Técnicas de sutura, reforço de retináculos e realinhamento anatômico.
Conclusão
O conhecimento detalhado dos tendões do pé e suas funções permite a identificação precoce de lesões e a escolha de estratégias terapêuticas adequadas. Para avaliação precisa e tratamento personalizado, consulte a Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, em Curitiba – PR.









