A bursite no tornozelo é a inflamação das bursas — pequenas bolsas cheias de líquido que amortecem o atrito entre ossos, tendões e músculos ao redor da articulação. Quando essas estruturas inflamam, causam dor localizada, limitam a mobilidade e comprometem a qualidade de vida. A Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, detalha a seguir os principais sinais e as opções de tratamento.
O que é a bursite no tornozelo?

Bursite no tornozelo é a inflamação de uma ou mais bursas na região do tornozelo. Essas bursas facilitam o deslizamento dos tendões e absorvem impactos. Quando inflamadas, produzem:
- Dor intensa na área afetada
- Inchaço e aumento de volume local
- Rigidez articular, dificultando a movimentação
Tipos principais
- Retrocalcaneal
Inflamação da bursa entre o tendão de Aquiles e o osso calcâneo. - Subcutânea do calcâneo
Inflamação da bursa sob a pele, na parte posterior do calcanhar, por fricção ou pressão.
Causas da bursite no tornozelo
A inflamação pode resultar de vários fatores, muitas vezes atuando em combinação:
- Movimentos repetitivos (corrida, salto)
- Traumas diretos (quedas, pancadas)
- Doenças inflamatórias (artrite reumatoide, gota)
- Infecções (bursite séptica, pouco frequente)
Em geral, o alvo das microlesões repetitivas ou urgentes é a bursa, que reage com aumento de produção de líquido e dor.
Sintomas da bursite no tornozelo
A manifestação clínica costuma ser rápida e evidente:
- Dor localizada atrás ou abaixo do calcanhar
- Sensação de calor e vermelhidão na pele sobre a bursa
- Edema visível e palpável ao redor do tornozelo
- Dor ao toque e ao colocar peso no pé
- Limitação de movimentos, especialmente após repouso prolongado
Geralmente, os sintomas pioram ao caminhar, subir escadas ou usar calçados justos.
Tratamentos para bursite no tornozelo
1. Abordagem conservadora
Inicia-se sempre com medidas não invasivas:
- Repouso: evitar atividades que agravem a dor
- Gelo: compressas de 15–20 min, 3–4× ao dia
- Compressão: bandagens elásticas para controlar o edema
- Elevação: manter o pé elevado acima do quadril
2. Medicamentoso
- AINEs (ibuprofeno, naproxeno) para dor e inflamação
- Analgesia em casos de dor intensa
Esses fármacos devem ser usados sob supervisão médica, respeitando dosagens e contraindicações.
3. Fisioterapia
A intervenção fisioterápica visa:
- Alongamentos do tendão de Aquiles e músculos da panturrilha
- Exercícios de fortalecimento para estabilizar o tornozelo
- Terapia manual para mobilizar tecidos e reduzir aderências
4. Injeções
- Corticosteróides: indicação em casos crônicos ou refratários
- Procedimento com anestesia local, promovendo alívio rápido da inflamação
Quando considerar cirurgia?
A bursectomia — remoção cirúrgica da bursa — é raramente indicada. Destina-se a pacientes que:
- Não respondem a 3–6 meses de tratamento conservador
- Mantêm dor intensa e perda funcional significativa
- Evoluem para bursite séptica, necessitando drenagem
A decisão é individualizada, após avaliação clínica e exames de imagem.
Pós-operatório: cuidados e tempo de repouso
Caso a cirurgia seja necessária:
- 1–2 semanas: repouso absoluto, uso de muletas, gelo e elevação
- 2–4 semanas: carga gradual de peso, início de fisioterapia passiva
- 4–8 semanas: fortalecimento ativo, retorno a atividades leves
- 8–12 semanas: reabilitação avançada, caminhadas longas e exercícios funcionais
A adesão ao protocolo de reabilitação é crucial para evitar recidivas.
Prevenção e cuidados de longo prazo
- Calçados adequados: solado firme, amortecimento e espaço para o calcanhar
- Evitar sobrecarga: distribuir o esforço físico e alternar atividades
- Fortalecimento contínuo: manter musculatura da panturrilha e tornozelo ativa
- Higiene e hidratação: pele e tecidos circundantes saudáveis previnem microlesões
Conclusão
A bursite no tornozelo, quando diagnosticada precocemente, responde bem ao tratamento conservador. A combinação de repouso, gelo, compressão, fisioterapia e, quando necessário, injeções de corticosteroides costuma resolver a inflamação e restabelecer a função articular. Em raros casos de refratariedade, a bursectomia pode ser indicada, mas exige seguimento rigoroso no pós-operatório.
Para avaliação personalizada e plano de tratamento completo, agende sua consulta com a Dra. Rosangela Fedato. Seu cuidado humanizado e técnico garantirá a melhor abordagem para a saúde dos seus pés e tornozelos.









