A cirurgia de ligamento do tornozelo, também chamada de reparo ou reconstrução ligamentar, é indicada quando há instabilidade crônica, rupturas completas ou fracasso do tratamento conservador em entorses graves. Realizada por via artroscópica ou aberta, o objetivo é restaurar a estabilidade, reduzir a dor e permitir o retorno seguro às atividades diárias.
Tipos de Procedimento

Antes de escolher o tipo de cirurgia, é fundamental avaliar o padrão de lesão ligamentar e as necessidades funcionais do paciente. Cada técnica tem suas indicações específicas:
- Reconstrução Ligamentar
- Enxerto tendíneo (autólogo, geralmente do tendão do flexor longo do hálux ou tendão patelar)
- Fixação óssea com parafusos ou âncoras de sutura
- Indicação: rupturas completas e instabilidade persistente
- Enxerto tendíneo (autólogo, geralmente do tendão do flexor longo do hálux ou tendão patelar)
- Reparo Primário
- Sutura direta dos ligamentos rompidos
- Reforço dos tecidos moles adjacentes
- Indicação: lesões agudas com bom tecido viável
- Sutura direta dos ligamentos rompidos
- Artroscopia Assistida
- Visualização da articulação por meio de pequenas câmeras
- Tratamento de lesões associadas (sinovite, lesões osteocondrais)
- Menor invasão tecidual, cicatrizes reduzidas
- Visualização da articulação por meio de pequenas câmeras
Indicações Cirúrgicas
Nem todo entorse grave exige cirurgia imediatamente. A decisão é tomada após comprovar, por meio de exames de imagem e testes clínicos, que o tornozelo permanece instável e incapaz de sustentar atividades normais:
- Instabilidade crônica após entorses repetidos
- Rupturas completas de ligamentos (talofibulares anterior e/ou calcaneofibular)
- Lesões combinadas com dano cartilaginoso ou fraturas associadas
- Fracasso do tratamento conservador (RICE + fisioterapia)
Passo a Passo do Procedimento
O ato cirúrgico segue protocolo rigoroso, desde a anestesia até o fechamento da incisão. Cada etapa é planejada para minimizar complicações e acelerar o retorno à função:
- Anestesia
- Geral ou bloqueio regional (“raqui” ou “bloqueio poplíteo”)
- Geral ou bloqueio regional (“raqui” ou “bloqueio poplíteo”)
- Acesso ao tornozelo
- Incisões de 3–5 cm (aberta) ou portais artroscópicos
- Incisões de 3–5 cm (aberta) ou portais artroscópicos
- Avaliação interna
- Inspeção dos ligamentos, cápsula e cartilagem
- Inspeção dos ligamentos, cápsula e cartilagem
- Reparo ou reconstrução
- Sutura direta ou enxerto tendíneo fixado em túnel ósseo
- Sutura direta ou enxerto tendíneo fixado em túnel ósseo
- Teste de estabilidade
- Manobra de inversão para confirmar correção
- Manobra de inversão para confirmar correção
- Fechamento e imobilização
- Suturas em camadas; bota ortopédica ou tala gessada
- Suturas em camadas; bota ortopédica ou tala gessada
Riscos e Complicações
Toda cirurgia envolve riscos. No caso do tornozelo, a proximidade de vasos e nervos exige atenção redobrada para prevenir:
- Infecção de pele ou profundidade
- Trombose venosa profunda (TVP)
- Rigidez articular e limitação de mobilidade
- Falha do enxerto ou afrouxamento da fixação
- Lesão nervosa com dormência ou formigamento
Recuperação Pós-Operatória
A reabilitação é tão crucial quanto o ato cirúrgico em si. Seguir corretamente cada fase garante melhor resultado funcional:
Fase 1: Imobilização (0–2 semanas)
É essencial proteger o reparo ligamentar e controlar o edema antes de iniciar qualquer movimento:
- Bota ortopédica sem apoio de peso
- Elevação do membro para reduzir edema
- Controle da dor com AINEs e analgésicos
Fase 2: Carga Parcial e Mobilização (2–6 semanas)
A introdução gradual de carga e movimento previne rigidez e trombose:
- Início de carga parcial, conforme tolerância
- Fisioterapia passiva: exercícios leves de flexão e extensão
Fase 3: Fortalecimento e Equilíbrio (6–12 semanas)
Focar em restaurar força muscular e propriocepção para evitar recidivas:
- Fortalecimento progressivo de perna e tornozelo
- Treinos proprioceptivos (plataformas instáveis)
Fase 4: Retorno Funcional (3–6 meses)
Última etapa para readquirir confiança no tornozelo e retomar esportes com segurança:
- Caminhadas livres, depois corrida leve
- Exercícios esportivos específicos
Tratamento Conservador como Alternativa
Em lesões parciais ou pacientes sem instabilidade crônica, o tratamento não cirúrgico pode ser eficaz:
- Imobilização em gesso ou bota por 4–6 semanas
- Medicação (AINEs, analgésicos)
- Fisioterapia intensiva: mobilização articular, fortalecimento, propriocepção
- Órteses e palmilhas para suporte adicional
Conclusão
A cirurgia de ligamento do tornozelo é indicada em lesões graves ou refratárias ao tratamento conservador. Com técnica adequada e reabilitação estruturada, a maioria dos pacientes retoma suas atividades sem dor ou instabilidade. Para avaliação e plano de tratamento personalizado, agende sua consulta com a Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, em Curitiba – PR.









