A fratura de calcâneo, ou fratura do osso do calcanhar, é uma lesão de alta complexidade que compromete a base de sustentação do pé. Por ser o maior osso do tarso, o calcâneo é fundamental para a marcha e o equilíbrio corporal. Fraturas nessa região costumam ser causadas por traumas de alta energia, como quedas de grandes alturas ou colisões automobilísticas, e exigem um plano terapêutico específico. A seguir, a Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, esclarece os principais pontos sobre diagnóstico, tratamento e reabilitação dessa lesão.
O que é a fratura de calcâneo?

O calcâneo localiza-se na região posterior do pé e atua como base de apoio durante a marcha. Quando esse osso se fratura, normalmente há envolvimento articular e impacto na biomecânica do pé. As causas mais comuns incluem quedas de altura, como de escadas ou andaimes, e acidentes automobilísticos, nos quais há compressão abrupta do calcanhar contra o solo. Lesões também podem surgir em esportes de alto impacto, sobretudo quando ocorrem aterrissagens forçadas.
Sintomas comuns
Os sinais clínicos variam conforme a gravidade da fratura. Em geral, o paciente apresenta dor intensa ao apoiar o pé, além de limitação funcional. É frequente o surgimento de inchaço na região do calcanhar, associado a hematomas visíveis e dificuldade ou incapacidade de caminhar. Em fraturas deslocadas, pode haver deformidade visível no contorno do calcanhar, o que exige avaliação imediata.
Diagnóstico da fratura de calcâneo
A avaliação médica deve incluir exame clínico detalhado e investigação por imagem. Inicialmente, o ortopedista analisa o histórico do trauma e realiza palpação cuidadosa do calcanhar, avaliando dor localizada, deformidade e amplitude de movimento.
Para confirmação diagnóstica e planejamento do tratamento, são solicitados exames como radiografias em diferentes ângulos e, principalmente, tomografia computadorizada, que oferece maior precisão na identificação da extensão da fratura e do envolvimento articular.
Tratamento da fratura de calcâneo
O manejo da fratura depende do tipo, localização e grau de desvio dos fragmentos ósseos. A conduta pode ser conservadora ou cirúrgica, conforme avaliação individualizada.
Tratamento conservador
Indicado para fraturas estáveis e sem deslocamento, o tratamento clínico consiste em:
- Imobilização com bota ortopédica ou gesso por cerca de 6 a 8 semanas.
- Repouso absoluto do membro afetado, evitando carga sobre o pé.
- Uso de analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor e do edema.
- Fisioterapia, iniciada após o período de consolidação inicial, com foco na recuperação da mobilidade e força.
Esse protocolo é eficaz em fraturas com bom alinhamento ósseo e sem comprometimento articular importante.
Tratamento cirúrgico
Casos com desvio significativo, fragmentação do osso ou comprometimento da articulação subtalar geralmente exigem intervenção cirúrgica. O objetivo é restaurar a anatomia do calcâneo, prevenir deformidades e preservar a função articular.
O procedimento pode envolver:
- Fixação interna com placas e parafusos para estabilização dos fragmentos.
- Em casos complexos, uso de enxertos ósseos para reconstrução da área lesionada.
- Imobilização pós-operatória e início de fisioterapia conforme liberação médica.
O pós-operatório requer monitoramento constante para evitar complicações e ajustar a progressão da carga no pé.
Recuperação da fratura de calcâneo
A reabilitação após uma fratura de calcâneo é gradativa e pode se estender por vários meses, variando conforme a complexidade do caso e a resposta individual do paciente.
Fases da recuperação
Inicialmente, o paciente permanece com o pé imobilizado e sem apoio, o que se mantém por 6 a 8 semanas. A mobilização gradual ocorre com orientação médica, iniciando com apoio parcial e progressão para carga total.
Na fase seguinte, a fisioterapia se torna essencial. São trabalhadas mobilidade, propriocepção e força muscular. O retorno às atividades cotidianas ocorre de forma gradual, podendo levar de 3 a 12 meses até a recuperação funcional completa, especialmente em pacientes submetidos à cirurgia.
Dicas para uma recuperação eficiente
Durante o processo, é importante seguir recomendações médicas e fisioterapêuticas com rigor. Além disso, manter uma alimentação equilibrada, rica em cálcio, vitamina D e proteínas, pode favorecer a consolidação óssea. O controle da dor com medicação e compressas frias pode ser necessário nas primeiras semanas.
Complicações potenciais
Mesmo com tratamento adequado, algumas complicações podem surgir. Entre as mais comuns estão:
- Artrite pós-traumática, quando há desgaste articular secundário à fratura.
- Deformidades estruturais, que afetam a distribuição de carga durante a marcha.
- Necrose avascular, em casos em que o suprimento sanguíneo ao osso é comprometido.
- Infecção, especialmente em procedimentos cirúrgicos, reforçando a importância do acompanhamento médico no pós-operatório.
Importância de contratar o serviço certo
Fraturas do calcâneo exigem abordagem especializada, dado o alto impacto funcional que provocam. O manejo por ortopedistas com experiência em cirurgia do pé e tornozelo é essencial para otimizar os resultados e reduzir riscos de sequelas.
Um especialista pode oferecer diagnóstico mais preciso, propor o tratamento ideal conforme o tipo de fratura e orientar adequadamente a reabilitação. Essa atuação multidisciplinar contribui para melhores desfechos clínicos e retorno seguro às atividades.
Perguntas frequentes sobre fratura de calcâneo
Quanto tempo leva para recuperar de uma fratura de calcâneo?
A recuperação pode variar de 3 a 12 meses, dependendo do tipo de fratura e da resposta ao tratamento.
É possível caminhar com uma fratura de calcâneo?
Inicialmente, não. É necessário evitar carga total até autorização médica, geralmente após a consolidação óssea parcial.
A cirurgia é sempre necessária?
Não. Em fraturas estáveis e sem desvio, o tratamento conservador pode ser eficaz.
Qual a importância da fisioterapia?
A fisioterapia é indispensável na reabilitação, auxiliando na recuperação da função, força e mobilidade do pé.
O que pode indicar uma complicação?
Dor persistente, inchaço prolongado, vermelhidão, febre ou limitação funcional significativa são sinais que merecem reavaliação médica.
Conclusão
A fratura de calcâneo é uma lesão que requer abordagem ortopédica precisa e individualizada. Desde o diagnóstico por imagem até o processo de reabilitação, cada etapa exige atenção clínica rigorosa. O sucesso do tratamento está diretamente ligado à adesão ao protocolo terapêutico, à qualidade da reabilitação e ao acompanhamento com profissionais especializados. Investir na recuperação adequada é essencial para preservar a função do pé e evitar limitações permanentes.









