A desartrodese é uma intervenção cirúrgica utilizada em casos específicos para reverter uma artrodese previamente realizada. Embora a artrodese tenha como objetivo estabilizar articulações e aliviar dor por meio da fusão óssea, há situações em que essa fusão não resulta no alívio esperado ou gera complicações. Nestes casos, a desartrodese pode ser considerada uma alternativa terapêutica viável.
Neste conteúdo, a Dra. Rosangela Fedato analisa de forma técnica as indicações, a técnica cirúrgica, os riscos e o processo de reabilitação da desartrodese, com foco na prática clínica ortopédica do pé e tornozelo.
O que é desartrodese?

A desartrodese é um procedimento cirúrgico que visa desfazer uma artrodese previamente realizada. O objetivo é remover os materiais de síntese (parafusos, placas, hastes) e, quando viável, restaurar parte da mobilidade da articulação previamente fusionada. A técnica também pode incluir correções estruturais e reconstruções locais, quando necessárias.
Quando a desartrodese é indicada?
As principais indicações clínicas para a realização da desartrodese incluem:
- Dor persistente ou agravada após a artrodese.
- Pseudartrose (falha na fusão óssea), com instabilidade articular.
- Infecção local com necessidade de remoção do material metálico.
- Deformidade residual com prejuízo funcional.
- Necessidade de nova abordagem cirúrgica corretiva.
- Solicitação do paciente, em casos selecionados, com função preservada.
A indicação deve ser avaliada de forma criteriosa com base em exames de imagem, função clínica e expectativa realista de resultado.
Como é realizada a cirurgia de desartrodese?
O procedimento pode ser conduzido por via:
- Aberta: com acesso amplo à articulação, remoção completa do material e possibilidade de correções estruturais.
- Minimamente invasiva: indicada apenas em casos selecionados, geralmente sem grandes deformidades.
Durante a cirurgia, o cirurgião remove o material de síntese e realiza a liberação da articulação fusionada. Enxertos ósseos autólogos ou heterólogos podem ser utilizados para preencher falhas estruturais. Em alguns casos, opta-se por substituição articular (próteses) ou reartrodese em nova posição anatômica.
Tempo de recuperação
A reabilitação pós-desartrodese varia conforme a extensão da intervenção e o segmento anatômico envolvido. Em média:
- Recuperação funcional inicial: entre 6 e 12 semanas.
- Fase de reabilitação fisioterapêutica ativa: até 6 meses.
- Monitoramento clínico e radiológico contínuo: por pelo menos 12 meses.
O que esperar após a cirurgia
- Dor controlada com analgesia e anti-inflamatórios.
- Imobilização inicial com órtese ou bota ortopédica.
- Carga parcial ou total conforme orientação médica.
- Início precoce da fisioterapia após liberação.
- Acompanhamento periódico com radiografias e exame clínico.
Riscos e complicações
Assim como qualquer procedimento cirúrgico ortopédico, a desartrodese envolve riscos como:
- Infecção.
- Hematoma ou sangramento.
- Lesão nervosa local.
- Falha na reabilitação funcional.
- Formação de nova pseudartrose.
- Recorrência de dor.
- Necessidade de reintervenção.
A seleção adequada do paciente e o planejamento cirúrgico cuidadoso minimizam esses riscos.
Aspectos técnicos adicionais
- Tipo de anestesia: pode variar entre raquidiana e geral, conforme a extensão do procedimento.
- Tipo de fixação: em alguns casos, nova síntese é realizada em articulações adjacentes.
- Fisioterapia pós-operatória: fundamental para reeducação muscular, ganho de mobilidade e função.
- Avaliação multidisciplinar: pode ser necessária em casos com comorbidades ou dor crônica associada.
Conclusão
A desartrodese é um procedimento complexo, indicado apenas em situações específicas em que a artrodese não alcançou os resultados clínicos desejados ou gerou complicações. Sua indicação deve ser fundamentada em critérios objetivos e acompanhada de planejamento técnico rigoroso.
A Dra. Rosangela Fedato realiza avaliação especializada em pacientes com artrodese prévia que apresentam dor persistente, falhas de fusão ou necessidade de revisão cirúrgica. O tratamento é sempre individualizado, com base em exames de imagem, função articular e objetivos terapêuticos realistas.









