Fratura no maléolo medial e maléolo lateral: causas, diagnóstico e tratamento

Fratura no maléolo medial e maléolo lateral: causas, diagnóstico e tratamento

As fraturas dos maléolos medial e lateral representam lesões comuns na região do tornozelo, afetando as extremidades inferiores da tíbia e da fíbula. Geralmente resultantes de torções ou impactos diretos, essas fraturas ocorrem com frequência em praticantes de esportes de alta demanda articular, como futebol, basquete e atletismo.

A seguir, apresentamos uma análise detalhada da anatomia envolvida, dos mecanismos de lesão, dos diagnósticos e das opções terapêuticas, bem como as etapas de reabilitação e medidas preventivas.


Anatomia dos maléolos medial e lateral

Fratura no maléolo medial e maléolo lateral: causas, diagnóstico e tratamento
Fratura no maléolo medial e maléolo lateral: causas, diagnóstico e tratamento

O tornozelo é composto por três ossos principais: tíbia, fíbula e tálus. Os maléolos são projeções ósseas fundamentais:

  • Maléolo medial (tíbia): situado na face interna do tornozelo, fornece suporte à inversão do pé e serve de ancoragem ao ligamento deltóide.
  • Maléolo lateral (fíbula): localizado na face externa, estabiliza a eversão e é ponto de fixação dos ligamentos peroneais.

Ambos os maléolos atuam na distribuição de carga e na estabilidade articular durante a marcha e atividades de impacto.


Causas e mecanismos de fratura

As fraturas nos maléolos podem ocorrer por diferentes mecanismos:

  1. Entorse grave de tornozelo: inversão ou eversão forçadas que geram avulsões ou quebra óssea.
  2. Quedas e traumas diretos: impacto do tornozelo contra superfície rígida.
  3. Lesões esportivas: carregamento excessivo e movimentos repetitivos em esportes de salto ou giro.
  4. Acidentes de trânsito: compressão lateral do tornozelo em colisões.

Fatores de risco incluem osteopenia, uso de calçados inadequados e superfícies irregulares.


Tipos de fraturas dos maléolos

As fraturas podem ser classificadas conforme o padrão e o grau de deslocamento:

  • Fratura por avulsão: pequeno fragmento ósseo desprende-se devido à tração ligamentar.
  • Fratura não deslocada: linha de fratura sem desvio significativo dos fragmentos.
  • Fratura deslocada: desalinhamento ósseo que compromete a congruência articular.
  • Fratura cominutiva: múltiplos fragmentos, geralmente após trauma de alta energia.

Cada tipo exige abordagem terapêutica específica para restaurar a função.


Sinais e sintomas clínicos

Os principais sintomas de fratura dos maléolos incluem:

  • Dor intensa: localizada na região medial, lateral ou em ambos os maléolos.
  • Inchaço e hematoma: formação rápida de edema e equimoses.
  • Deformidade visível: em casos de fratura deslocada.
  • Limitação de movimento: dificuldade ou impossibilidade de apoiar o pé.
  • Instabilidade articular: sensação de falseio ao tentar caminhar.

A avaliação inicial deve considerar o histórico do trauma e o exame físico minucioso.


Diagnóstico: exames e avaliação clínica

O diagnóstico envolve:

  1. Exame físico: palpação dos maléolos, teste de estabilidade ligamentar e avaliação da amplitude de movimento.
  2. Radiografia simples em três incidências: ântero-posterior, lateral e bicaudal para confirmar a fratura e o grau de deslocamento.
  3. Tomografia computadorizada (TC): indicada para fraturas complexas ou cominutivas, permitindo detalhamento tridimensional.
  4. Ressonância magnética (RM): avalia lesões ligamentares e de tecidos moles associadas.

O diagnóstico preciso orienta o planejamento terapêutico.


Tratamento das fraturas dos maléolos

Abordagem conservadora

Indicada para fraturas estáveis e não deslocadas:

  • Imobilização com gesso ou bota ortopédica por 4–6 semanas.
  • Protocolo RICE (Repouso, Ice, Compression, Elevation).
  • Transição gradual para calçado funcional e órtese de tornozelo.

Abordagem cirúrgica

Recomendada em fraturas deslocadas, instáveis ou cominutivas:

  • Osteossíntese: utilização de placas, parafusos ou fios para fixação dos fragmentos.
  • Redução aberta e fixação interna (RAFI): realinhamento anatômico dos ossos.
  • Fixação externa: em casos de lesão de tecidos moles e fraturas expostas.

A escolha do método depende do padrão da fratura e do perfil do paciente.


Reabilitação e recuperação

O processo de reabilitação é dividido em fases:

  1. Fase inicial (0–6 semanas): proteção da fratura, controle de dor e edema, início de mobilização passiva dos dedos.
  2. Fase de mobilização (6–12 semanas): exercícios de amplitude de movimento, fortalecimento isométrico e treino proprioceptivo.
  3. Fase funcional (3–6 meses): fortalecimento progressivo, treino de marcha e retorno gradual às atividades esportivas.

A adesão ao programa fisioterapêutico é determinante para o sucesso do tratamento.


Prevenção de fraturas dos maléolos

Medidas preventivas incluem:

  • Fortalecimento muscular: exercícios para peroneais, tibiais anterior e posterior.
  • Treino proprioceptivo: uso de superfícies instáveis e exercícios unilaterais.
  • Calçados adequados: bom suporte lateral e amortecimento.
  • Cuidados com superfícies: evitar pisos irregulares e escorregadios.

A prevenção reduz o risco de entorses graves e fraturas secundárias.


Conclusão

As fraturas dos maléolos medial e lateral comprometem a estabilidade e a função do tornozelo. O diagnóstico precoce, por meio de exame clínico e exames de imagem, orienta a escolha entre tratamento conservador ou cirúrgico. A reabilitação estruturada, aliada a medidas preventivas, é essencial para restaurar a mobilidade e diminuir o risco de recidivas.

Para avaliação especializada e plano de tratamento individualizado, agende uma consulta com a Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia de pé e tornozelo.

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