A tendinite no tornozelo é uma condição inflamatória que acomete os tendões ao redor da articulação, geralmente causada por sobrecarga mecânica, esforço repetitivo ou traumas agudos. Trata-se de uma das causas mais comuns de dor na região do tornozelo, especialmente entre atletas ou pessoas com alterações biomecânicas dos pés.
Neste artigo, a Dra. Rosangela Fedato explica as causas, sintomas, abordagens terapêuticas e critérios para cirurgia em casos de tendinite no tornozelo, com base em evidências clínicas e prática ortopédica.
Quais os sintomas da tendinite no tornozelo?

A sintomatologia é variável e está relacionada ao tendão acometido (tendão de Aquiles, fibulares, tibial posterior, etc.).
Sintomas frequentes:
- Dor localizada à palpação e durante o movimento;
- Inchaço ao redor do tendão;
- Calor local em fase aguda;
- Rigidez matinal ou após repouso prolongado;
- Redução da mobilidade articular;
- Sensação de fraqueza muscular;
- Dificuldade para caminhar ou correr.
A persistência dos sintomas por mais de duas semanas deve motivar avaliação ortopédica especializada.
Como tratar tendinite no tornozelo?
O tratamento depende do estágio da lesão (aguda, subaguda ou crônica) e da resposta clínica ao manejo conservador.
Abordagem conservadora (inicial)
- Repouso relativo: suspensão temporária das atividades de impacto.
- Gelo local: aplicação por 15–20 minutos, 2–3 vezes ao dia.
- Elevação e compressão: para redução do edema local.
- Analgésicos e anti-inflamatórios: prescritos conforme quadro clínico.
Fisioterapia e reabilitação funcional
- Alongamentos e fortalecimento de cadeia posterior e estabilizadores do tornozelo;
- Protocolo excêntrico para tendão de Aquiles;
- Terapias complementares: eletroterapia, ultrassom terapêutico, ondas de choque.
Órteses e ajustes biomecânicos
- Palmilhas ortopédicas sob medida;
- Calçados com boa absorção de impacto;
- Uso de tornozeleiras ou botas temporárias em casos agudos.
Infiltrações e terapias avançadas
- Infiltração com corticosteroide: deve ser indicada com cautela;
- Plasma rico em plaquetas (PRP): em tendinopatias crônicas com falha terapêutica.
Quanto tempo leva para curar a tendinite no tornozelo?
- Fase aguda: 1 a 2 semanas;
- Subaguda: até 6 semanas, com início de reabilitação ativa;
- Reabilitação completa: de 2 a 3 meses;
- Retorno esportivo pleno: até 6 meses em casos crônicos ou cirúrgicos.
A evolução é favorável na maioria dos pacientes, desde que respeitado o tempo de reabilitação e carga progressiva.
A tendinite no tornozelo precisa de cirurgia?
A cirurgia é indicada em situações específicas:
- Falha no tratamento clínico após 3 a 6 meses;
- Tendinopatia crônica com degeneração severa;
- Ruptura parcial ou total do tendão;
- Presença de calcificações extensas com dor refratária.
A decisão deve ser baseada em imagem avançada (RM ou US) e análise clínica criteriosa.
Quais os riscos de uma cirurgia para tendinite no tornozelo?
Como todo procedimento cirúrgico, existem riscos inerentes:
- Infecção superficial ou profunda;
- Rigidez articular ou limitação de movimento;
- Lesão de nervo periférico;
- Recidiva da tendinopatia;
- Reação a materiais de sutura ou enxerto.
A cirurgia é segura quando bem indicada e realizada por equipe especializada.
Quando é possível voltar a andar após a cirurgia?
- Sem apoio total: de 2 a 4 semanas;
- Apoio parcial com bota ortopédica: 4 a 6 semanas;
- Caminhada progressiva e fisioterapia: 6 a 12 semanas;
- Atividades completas: após 3 a 6 meses, dependendo do tipo de reparo realizado.
Qual é o valor da cirurgia para tendinite no tornozelo?
O custo varia conforme a complexidade, tipo de material utilizado, equipe médica e estrutura hospitalar:
- Procedimentos ambulatoriais simples: a partir de R$ 8.000;
- Reparos com enxertos ou técnica mista: entre R$ 12.000 e R$ 25.000;
- Cirurgias com internação hospitalar: pode ultrapassar R$ 30.000.
Coberturas por planos de saúde podem reduzir significativamente esse custo.
A tendinite pode voltar após a cirurgia?
Sim, especialmente se não forem corrigidos os fatores predisponentes:
- Sobrecarga articular;
- Biomecânica inadequada;
- Falta de fortalecimento muscular.
A prevenção com fisioterapia contínua e acompanhamento ortopédico é essencial.
É possível curar a tendinite no tornozelo completamente?
Sim, especialmente quando diagnosticada precocemente e tratada com condutas baseadas em evidências. A combinação de reabilitação, controle de sobrecarga e intervenções personalizadas permite alto índice de resolução e retorno funcional completo.
Perguntas frequentes sobre tendinite no tornozelo
1. Toda dor no tornozelo é tendinite?
Não. Outras condições como entorses, artrose e bursites também causam dor. O diagnóstico deve ser clínico e por imagem.
2. Posso continuar praticando esportes com tendinite?
Depende da fase da lesão. Atividades devem ser suspensas no período inflamatório agudo.
3. Gelo ou calor ajudam na tendinite?
Gelo é indicado na fase aguda. Calor pode ser usado na fase de rigidez muscular subaguda.
4. É seguro aplicar corticóide no tendão?
Com cautela. Deve ser avaliado caso a caso. Pode enfraquecer o tendão se mal indicado.
5. Palmilhas ortopédicas resolvem a tendinite?
Elas auxiliam corrigindo a pisada, mas não tratam a inflamação diretamente.
6. A cirurgia sempre resolve a tendinite?
Cirurgias bem indicadas têm bons resultados, mas exigem reabilitação e controle de fatores de risco.
Conclusão
A tendinite no tornozelo, quando tratada de forma precoce e adequada, apresenta excelente prognóstico. A Dra. Rosangela Fedato reforça a importância da avaliação clínica especializada para definir o tipo de tendão acometido, o grau de lesão e a melhor estratégia terapêutica.









