O pé torto congênito, ou pé equinovaro congênito, é uma malformação presente desde o nascimento que afeta um ou ambos os pés. A condição é caracterizada por uma rotação interna e plantar do pé, comprometendo o posicionamento adequado e, consequentemente, a marcha.
Embora o tratamento conservador seja a primeira abordagem, em muitos casos a cirurgia é necessária para corrigir deformidades residuais. A seguir, a Dra. Rosangela Fedato apresenta as indicações cirúrgicas, etapas do procedimento e orientações para o pós-operatório do tratamento do pé torto.
O que é o pé torto congênito

Trata-se de uma deformidade estrutural do pé detectada ao nascimento ou, em alguns casos, ainda na gestação. Caracteriza-se por equinismo (pé apontado para baixo), varismo (desvio medial do calcanhar) e adução do antepé.
Causas
A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e possivelmente distúrbios intrauterinos de desenvolvimento musculoesquelético.
Diagnóstico clínico e por imagem
- Exame físico neonatal
- Ultrassonografia gestacional
- Radiografias seriadas para planejamento cirúrgico, quando necessário
Indicação cirúrgica
A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador (ex. Método de Ponseti) falha em promover correção adequada ou há recidiva da deformidade. Também pode ser indicada em pacientes com deformidade residual após manipulações iniciais.
Tipos de cirurgia para pé torto
1. Tenotomia percutânea do tendão de Aquiles
- Técnica minimamente invasiva
- Realizada em ambiente ambulatorial, geralmente sob anestesia local
- Indicada para correção do equinismo residual
2. Liberação posterior
- Procedimento cirúrgico aberto para liberação de estruturas posteriores e capsulotomias
- Indicada em casos com retrações importantes e limitação da dorsiflexão
3. Transferência tendínea
- Reposicionamento de tendões (ex. tibial anterior/posterior) para correção de deformidades residuais dinâmicas
- Reestabelece o equilíbrio muscular e funcional
4. Osteotomias
- Envolve realinhamento ósseo do retropé ou mediopé
- Indicada em casos mais complexos ou recidivantes
- Pode incluir fixação interna com placas ou parafusos
Pré-operatório
Avaliação médica completa
- Anamnese detalhada e avaliação clínica do alinhamento dos pés
- Exames de imagem (radiografias, TC ou RM) para mapeamento das deformidades
- Exames laboratoriais para avaliação pré-anestésica
Orientações pré-operatórias
- Jejum conforme protocolo anestésico (geralmente 6–8 horas)
- Suspensão de medicações conforme orientação médica
- Orientações sobre adaptação domiciliar e mobilidade pós-operatória
Durante a cirurgia
- O procedimento é realizado sob anestesia geral ou raquidiana
- Pequenas incisões são realizadas conforme a técnica indicada
- Estruturas tendíneas e ósseas são corrigidas e estabilizadas
- O pé é imobilizado ao final do procedimento
Cuidados no pós-operatório imediato
- Monitoramento clínico e controle de dor hospitalar
- Imobilização com gesso ou órtese
- Alta hospitalar geralmente no mesmo dia ou após 24h
Recuperação e reabilitação
1. Imobilização inicial (2 a 6 semanas)
- Gesso ou órtese para manter a correção
- Ausência de apoio no pé operado
- Cuidados locais com curativos e prevenção de infecção
2. Mobilização gradual (6 a 12 semanas)
- Retirada da imobilização conforme evolução clínica
- Início da fisioterapia com foco em amplitude de movimento e força
- Apoio parcial com auxílio de muletas ou andador
3. Reabilitação funcional (3 a 6 meses)
- Exercícios de fortalecimento muscular e propriocepção
- Retorno progressivo às atividades da vida diária
- Liberação para prática esportiva conforme evolução individual
Complicações e prevenção
Complicações possíveis
- Infecção de ferida operatória
- Trombose venosa profunda
- Rigidez articular
- Recidiva da deformidade
- Lesões neurovasculares (rara)
Prevenção
- Cuidados com higiene da ferida
- Mobilização precoce orientada
- Fisioterapia sistematizada
- Acompanhamento rigoroso em consultas periódicas
Importância de um acompanhamento especializado
O sucesso do tratamento cirúrgico do pé torto depende da abordagem adequada por profissional com formação específica em cirurgia do pé e tornozelo.
A Dra. Rosangela Fedato, mestre em Ciências da Saúde e especialista em ortopedia, realiza avaliações personalizadas e conduz todo o processo cirúrgico e de reabilitação com foco em resultados funcionais e anatômicos duradouros.
FAQ Técnico
1. Qual o tempo médio de recuperação?
A recuperação completa pode variar entre 3 a 6 meses, conforme a complexidade da cirurgia e resposta à reabilitação.
2. A fisioterapia é obrigatória?
Sim. A reabilitação é indispensável para restaurar a função articular e prevenir sequelas.
3. Quando posso apoiar o pé operado?
O apoio deve ser autorizado pelo ortopedista, geralmente após a retirada do gesso ou estabilização óssea.
4. As cicatrizes são grandes?
Em procedimentos minimamente invasivos, as cicatrizes são pequenas e discretas.
5. Há chance de recidiva após a cirurgia?
Sim, principalmente em casos com deformidades severas. Por isso, o seguimento a longo prazo é necessário.
6. A cirurgia corrige completamente o pé torto?
Na maioria dos casos, sim. A correção é funcional e estética, desde que feita por profissional capacitado e com adesão ao tratamento pós-operatório.
Conclusão
O tratamento cirúrgico do pé torto é uma intervenção segura e eficaz quando realizada por especialista. A cirurgia corrige deformidades resistentes ao tratamento conservador, melhora a funcionalidade e permite o desenvolvimento adequado do pé.
Para pacientes com deformidade persistente ou recidivante, a Dra. Rosangela Fedato oferece abordagem técnica e humanizada, com plano terapêutico individualizado e foco em reabilitação plena.









