A fratura do astrágalo, também conhecido como tálus, é uma lesão ortopédica relevante por seu impacto funcional na articulação do tornozelo e pela complexidade anatômica envolvida. Esse tipo de fratura, apesar de não ser a mais frequente entre as lesões do pé, pode acarretar sérias limitações se não for diagnosticada e tratada corretamente.
Neste conteúdo, elaborado com base na prática clínica da Dra. Rosangela Fedato, especialista em cirurgia do pé e tornozelo em Curitiba-PR, abordaremos os aspectos anatômicos, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento da fratura do astrágalo.
O que é o osso astrágalo (tálus)?

O tálus é um dos principais ossos que compõem a articulação do tornozelo. Ele conecta-se superiormente à tíbia e fíbula, e inferiormente ao calcâneo, formando a base de sustentação do corpo durante a marcha. Este osso possui uma anatomia peculiar, com cerca de 60% da sua superfície recoberta por cartilagem, o que limita sua vascularização — fator importante em caso de fraturas.
Sua função inclui:
- Transmitir a carga corporal da perna para o pé.
- Permitir movimentos de dorsiflexão, flexão plantar, rotação e estabilização do tornozelo.
O que é fratura do astrágalo?
A fratura do tálus corresponde à ruptura parcial ou total da estrutura óssea do astrágalo, e geralmente ocorre após traumas de alta energia, como:
- Quedas de altura
- Acidentes automobilísticos
- Torções violentas
- Impactos esportivos com carga axial elevada
É uma lesão que exige atenção especializada, devido ao risco de complicações como necrose avascular, pseudartrose e artrose pós-traumática.
Principais sintomas
- Dor intensa no tornozelo, especialmente à palpação.
- Inchaço e equimose na região posterior e lateral do pé.
- Dificuldade de apoio ou incapacidade de caminhar.
- Em fraturas deslocadas, pode haver deformidade articular visível.
Esses sinais justificam avaliação médica imediata e exames de imagem para confirmação diagnóstica.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado com base em exame clínico e exames complementares:
- Radiografias em várias incidências (AP, lateral e mortise).
- Tomografia computadorizada: indicada para avaliação de traços complexos ou envolvimento articular.
- Ressonância magnética: pode ser utilizada em fraturas ocultas ou para análise da vascularização óssea.
Tratamento da fratura do tálus
O tratamento dependerá da localização da fratura, deslocamento dos fragmentos e estado articular.
Fraturas não deslocadas
- Imobilização com bota ortopédica ou gesso por 6 a 8 semanas.
- Repouso e ausência de carga no membro operado.
- Monitoramento com radiografias seriadas.
Fraturas deslocadas ou complexas
- Tratamento cirúrgico com redução aberta e fixação interna (RAFI).
- Objetivo: restaurar o alinhamento anatômico e a estabilidade articular.
- Reabilitação pós-cirúrgica com apoio gradual conforme consolidação.
Quanto tempo leva para consolidar a fratura?
A consolidação óssea geralmente ocorre entre 6 a 12 semanas, mas a recuperação funcional total pode levar até 6 meses, especialmente em fraturas articulares.
A vascularização limitada do tálus requer acompanhamento clínico rigoroso para detecção precoce de complicações, como necrose óssea.
Recomendações para melhorar a consolidação óssea
- Imobilização adequada, conforme orientação médica.
- Evitar carga precoce no membro acometido.
- Manter alimentação equilibrada, com ingestão adequada de cálcio e vitamina D.
- Evitar tabagismo, que prejudica a cicatrização óssea.
- Cumprir o plano de fisioterapia após liberação.
Fraturas do astrágalo no ambiente de trabalho
Essas fraturas têm se tornado mais frequentes em ambientes de risco ocupacional, como:
- Setor da construção civil
- Indústria pesada
- Serviços com risco de quedas de altura ou impacto direto nos membros inferiores
Fatores como falta de EPIs adequados, postura inadequada, fadiga muscular e treinamento deficiente contribuem para a ocorrência dessas lesões.
Empresas devem adotar práticas ergonômicas, inspeções regulares e reforço na cultura de segurança para mitigar esses riscos.
FAQ técnico – Fratura do astrágalo
1. Toda fratura do astrágalo precisa de cirurgia?
Não. Fraturas não deslocadas podem ser tratadas com imobilização. A decisão depende da avaliação clínica e dos exames de imagem.
2. É possível ter necrose do osso após a fratura?
Sim. O tálus tem vascularização delicada, e fraturas graves podem comprometer seu suprimento sanguíneo.
3. Quais são os sinais de complicação durante a recuperação?
Dor persistente, inchaço progressivo, dificuldade em movimentar o tornozelo e sinais de infecção devem ser avaliados imediatamente.
4. Posso voltar a praticar esportes após uma fratura do tálus?
Sim, desde que haja consolidação óssea completa e reabilitação funcional adequada. O retorno deve ser gradual e orientado por especialista.
5. A fratura pode gerar artrose no tornozelo?
Sim, principalmente em fraturas intra-articulares ou com desalinhamento residual.
6. Quanto tempo para voltar a caminhar normalmente?
Em média, após 8 a 12 semanas, com suporte da fisioterapia e liberação gradual de carga.
Conclusão
A fratura do tálus é uma lesão de alta complexidade, com potencial de comprometimento funcional significativo. O diagnóstico precoce e o tratamento correto, realizados por especialista em cirurgia do pé e tornozelo, são essenciais para garantir boa consolidação e retorno à funcionalidade.
A Dra. Rosangela Fedato, com atuação em Curitiba-PR, realiza avaliação detalhada e acompanhamento completo de lesões do tornozelo, com abordagem técnica, resolutiva e humanizada.









