A artrodese de pé é uma cirurgia indicada para tratar casos de dor crônica, deformidades estruturais ou instabilidade em articulações do pé que não respondem mais a tratamentos conservadores. Essa técnica consiste na fusão de dois ou mais ossos da articulação afetada, com o objetivo de eliminar a dor provocada pelo movimento anormal e restaurar a estabilidade funcional do pé.
Neste artigo, a Dra. Rosangela Fedato, médica ortopedista especializada em cirurgia do pé e tornozelo, com formação pela PUC-PR e atuação clínica em Curitiba, esclarece como funciona o procedimento de artrodese, suas indicações, o processo de recuperação e os resultados esperados. O conteúdo é direcionado a pacientes que buscam entender o que esperar da cirurgia e como se preparar adequadamente para a reabilitação.
O que é a artrodese de pé?

A artrodese, também chamada de fusão articular, é uma cirurgia em que as superfícies articulares são removidas e os ossos são fixados de forma permanente. Essa fusão impede o movimento na articulação, eliminando a dor provocada pelo atrito entre estruturas comprometidas.
Essa técnica é indicada principalmente para pacientes com:
- Artrite degenerativa (osteoartrite), artrite reumatoide ou artropatias pós-traumáticas.
- Deformidades estruturais como pé plano rígido ou pé cavo grave.
- Instabilidade articular persistente após lesões ligamentares.
- Fraturas complexas com má consolidação.
- Dor crônica refratária a medicamentos e fisioterapia.
A decisão pela artrodese deve considerar o grau de comprometimento articular, o impacto funcional e a qualidade de vida do paciente.
Como funciona o procedimento cirúrgico
Avaliação pré-operatória
Antes da cirurgia, é fundamental uma análise clínica detalhada, com exames de imagem como radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Exames laboratoriais também são solicitados para avaliar o risco cirúrgico.
Etapas da cirurgia
A cirurgia é realizada sob anestesia geral ou raquidiana. As etapas principais incluem:
- Acesso à articulação comprometida por incisões precisas.
- Remoção da cartilagem e preparação das superfícies ósseas.
- Realinhamento dos ossos e fixação com parafusos ou placas.
- Fechamento da ferida e imobilização com gesso ou bota ortopédica.
O objetivo é garantir o posicionamento adequado dos ossos para que ocorra a consolidação óssea desejada.
Cirurgia minimamente invasiva
A artrodese também pode ser realizada por via minimamente invasiva, dependendo do caso clínico. Essa técnica reduz o trauma cirúrgico e pode oferecer:
- Menor tempo de internação e recuperação.
- Redução de edema e dor pós-operatória.
- Cicatrizes discretas.
- Menor risco de infecção.
Entretanto, nem todos os casos são candidatos à técnica minimamente invasiva, sendo necessário avaliar cada paciente individualmente.
Como é a recuperação após a artrodese de pé?
Fase 1 – Imobilização (6 a 12 semanas)
Durante esse período, o pé permanece completamente imobilizado, sem carga:
- Repouso absoluto com o membro elevado.
- Cuidados locais com curativo e observação para sinais de infecção.
- Uso de muletas ou andadores para locomoção.
Fase 2 – Reabilitação inicial (3 a 6 meses)
Com a consolidação óssea, inicia-se o apoio parcial:
- Retirada gradual da imobilização.
- Fisioterapia com exercícios de mobilidade e fortalecimento.
- Uso de órteses ou calçados adaptados.
Fase 3 – Reintegração funcional (até 12 meses)
Essa etapa foca na recuperação funcional:
- Fortalecimento global e melhora da propriocepção.
- Exercícios de equilíbrio e coordenação.
- Retorno progressivo às atividades rotineiras e, em alguns casos, esportivas.
Complicações possíveis e como preveni-las
As complicações da artrodese são raras, mas podem incluir:
- Infecção da ferida operatória.
- Pseudoartrose, quando a fusão óssea não ocorre.
- Trombose venosa profunda, devido ao tempo de imobilização.
- Desalinhamento residual do eixo do pé.
Para minimizar riscos, é essencial seguir rigorosamente as orientações pós-operatórias, manter acompanhamento médico frequente e não interromper a fisioterapia prescrita.
Resultados esperados da artrodese de pé
Os principais benefícios relatados após a recuperação são:
- Alívio completo ou significativo da dor em articulações comprometidas.
- Estabilidade articular aprimorada para marcha e atividades básicas.
- Melhoria funcional, com retorno às atividades sem limitações importantes.
- Resultado duradouro, sem necessidade de reoperações frequentes.
A perda de movimento na articulação fundida é compensada por adaptações biomecânicas nas articulações adjacentes.
FAQ – Perguntas frequentes sobre artrodese de pé
1. Quanto tempo leva para recuperar completamente de uma artrodese de pé?
A recuperação completa leva, em média, de 6 a 12 meses, dependendo do tipo de artrodese, idade e nível de atividade física do paciente.
2. Posso apoiar o pé logo após a cirurgia?
Não. O apoio total costuma ser liberado apenas após a consolidação óssea, que ocorre entre 6 e 10 semanas.
3. A artrodese elimina completamente a dor?
Na maioria dos casos, sim. A eliminação do movimento articular reduz o atrito e a inflamação, aliviando a dor.
4. A cirurgia deixa cicatrizes grandes?
Depende da técnica utilizada. Cirurgias minimamente invasivas deixam cicatrizes menores e menos visíveis.
5. A artrodese afeta a forma de caminhar?
Há adaptações, mas a maioria dos pacientes desenvolve marcha funcional estável sem prejuízo significativo.
6. É possível praticar esportes após artrodese de pé?
Sim, atividades de baixo impacto como ciclismo, natação e caminhadas são geralmente bem toleradas após recuperação completa.
Conclusão
A artrodese de pé é uma alternativa eficaz para pacientes com dor articular crônica, deformidades estruturais ou instabilidade funcional que não respondem a tratamentos conservadores. Quando bem indicada e executada por profissional capacitado, como a Dra. Rosangela Fedato, oferece alívio significativo da dor, melhora da mobilidade e restauração da qualidade de vida.
O sucesso do procedimento depende de uma avaliação precisa, técnica cirúrgica adequada e adesão rigorosa ao plano de reabilitação.









